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Obesidade em adolescentes pode atingir 25% até 2030, diz estudo

A obesidade é hoje um dos maiores desafios de saúde pública em escala global. Entre os mais afetados, os adolescentes ocupam um espaço cada vez mais preocupante nas estatísticas.

De acordo com um novo estudo divulgado em maio de 2025, quase 1 em cada 4 adolescentes poderá estar com sobrepeso ou obesidade até o ano de 2030, caso nenhuma ação concreta seja tomada.

Embora o problema seja multifatorial, o crescimento acelerado desse número entre jovens revela falhas estruturais nas áreas de alimentação, atividade física, políticas públicas e educação em saúde.

Isso torna urgente a mobilização de profissionais da área para pensar em estratégias de prevenção eficazes e contínuas.

Neste artigo, vamos analisar os principais dados do estudo, entender as causas que estão por trás do avanço da obesidade entre adolescentes e discutir como profissionais da saúde e nutrição podem atuar, com base em evidências, para frear essa tendência.

Dados do estudo e projeções até 2030

Segundo o relatório, mais de 750 milhões de crianças e adolescentes no mundo poderão estar com excesso de peso em 2030.

Desses, cerca de 250 milhões estarão classificados clinicamente com obesidade. O estudo, que reuniu dados de mais de 190 países, também mostra que a prevalência da obesidade é maior entre meninas em algumas regiões, embora o padrão varie conforme aspectos socioculturais.

Obesidade na adolescência
Foto: bokodi/Freepik

No caso do Brasil, as estimativas indicam que 1 a cada 4 adolescentes estará acima do peso ideal nos próximos cinco anos.

Essa projeção considera tanto os dados de crescimento populacional quanto os padrões atuais de alimentação, prática de atividades físicas e políticas públicas voltadas à saúde infantojuvenil.

Além disso, o relatório aponta que, se não forem tomadas medidas preventivas concretas, a obesidade pode se tornar a principal comorbidade crônica da adolescência, à frente de outras doenças como asma e diabete tipo 2.

Principais causas do aumento da obesidade em jovens

A obesidade entre adolescentes não surge de forma isolada. Pelo contrário, ela é consequência de uma série de fatores que atuam de maneira interligada.

A seguir, estão os principais elementos que contribuem para o crescimento desse problema:

1. Alimentação ultraprocessada

Com o aumento do consumo de produtos industrializados ricos em açúcar, gordura e sódio, os jovens têm substituído refeições caseiras por lanches rápidos e pouco nutritivos.

Além disso, o marketing agressivo direcionado ao público infantojuvenil influencia significativamente as escolhas alimentares.

2. Sedentarismo e uso excessivo de telas

Cada vez mais conectados, os adolescentes passam horas em frente a telas, seja assistindo vídeos, jogando ou usando redes sociais.

Essa mudança no comportamento reduziu drasticamente o tempo dedicado a atividades físicas, o que agrava o quadro de sedentarismo.

3. Desigualdade social

O acesso limitado a alimentos saudáveis, espaços para prática de atividades físicas e serviços de saúde de qualidade afeta principalmente jovens de regiões periféricas e de baixa renda.

A insegurança alimentar, paradoxalmente, também contribui para o aumento da obesidade, já que famílias com menos recursos recorrem a alimentos mais baratos e menos nutritivos.

4. Fatores emocionais e psicológicos

Problemas como ansiedade, baixa autoestima e transtornos alimentares também desempenham papel relevante.

Em muitos casos, a comida acaba sendo usada como forma de compensação emocional, especialmente em ambientes familiares disfuncionais ou com alto grau de estresse.

Consequências da obesidade na adolescência

A obesidade não afeta apenas o aspecto físico. Na adolescência, fase marcada por intensas transformações hormonais, sociais e emocionais, o excesso de peso pode desencadear uma série de impactos negativos:

  • Doenças metabólicas precoces, como hipertensão e diabete tipo 2.
  • Comprometimento da saúde mental, incluindo quadros de depressão, ansiedade e distúrbios alimentares.
  • Problemas osteoarticulares e menor disposição física para atividades diárias.
  • Estigma social e bullying escolar, que afetam diretamente a autoestima e o desenvolvimento emocional.

Além disso, adolescentes com obesidade têm maior probabilidade de se tornarem adultos obesos, o que perpetua o risco de doenças crônicas e sobrecarga dos sistemas de saúde pública.

Como os profissionais da saúde podem atuar na prevenção

Diante de um cenário tão desafiador, o papel dos profissionais da saúde, especialmente nutricionistas, pediatras, psicólogos e educadores físicos, é fundamental.

Entretanto, a prevenção da obesidade exige uma abordagem integrada e contínua. Veja algumas estratégias eficazes:

Educação alimentar desde a infância

Assim, introduzir hábitos saudáveis precocemente, com participação ativa da família, contribui para a construção de uma relação positiva com os alimentos. Atividades lúdicas, oficinas e programas escolares de nutrição, por exemplo, são ferramentas eficazes.

Acompanhamento individualizado

Atender cada adolescente de forma personalizada, considerando sua realidade social, emocional e familiar, é essencial para aumentar a adesão às orientações e evitar recaídas.

Atuação intersetorial

Profissionais da saúde devem se articular com escolas, comunidades e órgãos públicos para ampliar o alcance das ações. Projetos interdisciplinares e políticas escolares inclusivas são pontos-chave.

Comunicação clara e acolhedora

Evitar discursos moralistas e julgamentos é fundamental. O foco deve estar em promover saúde, bem-estar e autonomia, não apenas perda de peso.

Medidas que já estão sendo adotadas no Brasil e no mundo

Vários países já vêm adotando políticas públicas para conter o avanço da obesidade na adolescência.

No Brasil, iniciativas como o Programa Saúde na Escola (PSE) e campanhas de incentivo à alimentação saudável têm sido implementadas para integrar ações de saúde e educação.

Internacionalmente, países como o Chile e o Reino Unido se destacam por ações mais firmes, como:

  • Proibição de publicidade de alimentos ultraprocessados para crianças.
  • Rotulagem nutricional clara e de fácil entendimento nos produtos.
  • Tributação sobre bebidas açucaradas.
  • Criação de áreas públicas para atividade física nas comunidades.

Apesar dos avanços, especialistas apontam que as medidas ainda são insuficientes frente ao ritmo de crescimento dos casos e defendem mais ações estruturantes e de longo prazo.

A obesidade é evitável, mas exige ação coordenada

A previsão de que até 25% dos adolescentes possam ser afetados pela obesidade até 2030 é, acima de tudo, um alerta.

Esses dados devem ser vistos como um chamado à responsabilidade compartilhada entre famílias, escolas, governos e profissionais da saúde.

Compreender as causas, investir em prevenção e ampliar o acesso a cuidados adequados são medidas essenciais para reverter esse cenário.

Profissionais da saúde e nutrição têm papel estratégico nesse processo, não apenas na orientação clínica, mas também na defesa de políticas públicas e na formação de uma geração mais saudável.

Por fim, é importante lembrar: a obesidade é multifatorial, complexa e silenciosa, mas pode ser evitada com informação, apoio e compromisso.

Então, quanto mais cedo começarmos, maiores serão as chances de mudar o rumo dessa história.

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